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1) Acupontos indicativos de síndrome patelar equina – experiência pessoal
 
Souza, J.C.1; Pereira, T.P.2; Michelotto Jr, P.V.3

Introdução: O diagnóstico das patologias da articulação femorotibiopatelar é um desafio para o médico veterinário que atua na clínica de equinos. Objetivos: Este estudo visou descrever casos clínicos onde a suspeita de afecção femorotibiopatelar foi obtida pela palpação de acupontos diagnósticos. Materiais e Métodos: Os prontuários de 257 cavalos, examinados no período de 2002 a 2011, por um médico veterinário treinado no diagnóstico por acupuntura, foram analisados para obterá obtenção de informações como principais queixas, os acupontos mais frequentemente reativos e o diagnóstico imaginológico, quando realizado. A Síndrome Patelar foi levada em consideração quando o ponto sacral, indicativo da síndrome patelar, resultou reativo de acordo com a descrição de MARVIN CAIN (2003). Resultados: Os arquivos analisados resultaram em 55 (21.4%) casos compatíveis com a Síndrome Patelar em 1 Apaloosa, 13 Cavalos de Salto, 2 Mangalargas, 1 PSA, 33 PSI, 4 QM e um mestiço, sendo 31 (56.4%) machos e 24 (43.6%) fêmeas, com a média de idade 5.3 ± 3.8 anos. As queixas incluíam 27 (49.2%) casos de redução do rendimento atlético, 11 (20.0%) exames de rotina, 5 (9.1%) deles com claudicação, 3 (5.5%) estavam refugando o salto, 2 (3.6%) com inapetência, 2 (3.6%) com fixação dorsal da patela, 1 (1.8%) com dor sacro-ilíaca, 1 (1.8%) com dor em coluna toracolombar, 1 (1.8%) em tratamento para desmite suspensora no membro contralateral, 1 (1.8%) com problemas nos cascos anteriores e 1 (1.8%) havia recebido infiltrações prévias na articulação femorotibiopatelar. O ponto sacral indicativo de síndrome patelar esteve correlacionado, em ordem de importância, com os acupontos B-21 (p<0.0001), pontos locais da patela (p<0.0001), BP-13 (p<0.0001), VB-27 (p<0.0001), E-30’ (p<0.0001), B-23/B-52/B-26/GB-25 (p<0.0001), B-54 (p<0.0001) e B-20 (p=0.006). Foi unilateral em 35 (63.6%) e bilateral em 20 (36.4%) cavalos. Dor à palpação da coluna vertebral esteve presente no exame clínico de 22 (40%) cavalos, envolvendo coluna toracolombar, região sacro-ilíaca e em ambas em 3, 14 e 5 cavalos, respectivamente. O diagnóstico por imagem foi obtido em 14 casos, com lesões moderadas a severas em todos, incluindo doença articular degenerativa, artrite, desmite patelar, osteocondrose, lesão meniscal, fratura e cisto ósseo. Discussão e Conclusão: Detectou-se um padrão de acupontos reativos à palpação, no exame clínico, resultando na sugestão do diagnóstico de afecção femorotibiopatelar ou síndrome patelar. A radiologia e a ultrasonografia evidenciaram lesões em todos os casos em que foram realizadas. O presente estudo levanta a hipótese que alterações femorotibiopatelares são mais prevalentes do que relatadas, em função da dificuldade para o diagnóstico, e sugere que a palpação de acupontos indicativos da síndrome patelar, pela confiabilidade resultante do treinamento, seja semiotécnica a ser incluída em textos que descrevam o exame clínico de equinos.

1 Médica Veterinária autônoma, CVA IVAS. jusouza.vet@gmail.com
2 Médico Veterinário, aluno de Mestrado em Ciência Animal da PUCPR. tiagopenna@gmail.com
3 Professor de Mestrado em Ciência Animal, Escola de Ciências Agrárias e Medicina Veterinária,
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). michelottojunior@yahoo.com.br.

 

2) O uso de medicação homeopática no tratamento de cães com insuficiência renal crônica - Relato de caso

Rezende P.M.1, Agnese A.P.2, Álvares R.3 Dr. Real C.M.4

Departamento Técnico, Real H Matriz Fabrica, Campo Grande - MS. Rodovia BR 163, Km 11,5, Anel Rodoviário s/n. Cep. 79043-000 patricia.promotoratecnica@realh.com.br

Introdução: As doenças renais são problemas clínicos de ocorrência frequente em cães e gatos. (Maddison & Syme 2010) A Insuficiência Renal Cônica (IRC) é uma síndrome que ocorre quando os rins não são mais capazes de manter as suas funções; reguladora, excretora e endócrina, o que ocorre quando cerca de 75% dos número de néfrons estão comprometidos. (Ettinger & Feldman 2008).

Trata-se de uma doença de caráter progressivo, mais comum em cães e gatos idosos, mas também ocorrer em animais jovens. Ela é geralmente o resultado da evolução de doenças renais agudas, não tratadas adequadamente, ou por que as causas são constantes, mas de fraca intensidade, ou ainda porque o organismo debilitado não responde satisfatoriamente ao agente agressor (Ettinger & Feldman 2008; Maddison & Syme 2010). Na maioria dos animais os fatores responsáveis pelo início da IRC permanecem obscuros, independente do diagnóstico clínico (Ettinger & Feldman 2008).

O inicio da doença pode ser assintomático por um longo período (Maddison & Syme 2010). A poliúria e polidipsia compensatória estão entre as primeiras manifestações clínicas da

Insuficiência Renal Crônica (Ettinger & Feldman 2008). Com a diminuição no numero de néfrons, os néfrons remanescentes se adaptam visando manter a homeostasia no organismo. Essa adaptação na maioria das vezes não é suficiente para a excreção da uréia e da creatinina (Maddison & Syme 2010). O aumento dessas substancias pode causar uma série de alterações no organismo como, por exemplo, alterações neurológicas, manifestadas por tremores, ataxia, mioclonias, excitação, convulsão e coma devido ao aumento de uréia na circulação (Rubin 1997). Em pacientes com suspeita da doença é essencial avaliar a função renal, através de exames bioquímicos de creatinina e uréia séricas e ainda pele urinálise, para identificar se a causa da azotemia é pré-renal, renal ou pós-renal (Ettinger & Feldman 2008).

A pesquisa de novos fármacos para combater as doenças no homem e no animal é uma busca crescente. A Homeopatia atualmente é mais uma opção de tratamento. O uso de medicamentos homeopáticos tem o objetivo de melhorar o funcionamento renal levando a redução dos níveis de uréia e creatinina. Esta terapêutica, criada no final do século XVIII pelo médico alemão Samuel Hahnemann 1975-1834, se fundamenta na lei dos semelhantes, "

Similia similibus curantur" lei natural de cura já registrada nos "Aforismas" escritos por Hipócrates 400 a.C.. A aplicação da Lei dos Semelhantes consiste em tratar doenças administrando medicamentos que no homem sadio causam os mesmos sintomas que os apresentados pelo paciente a ser tratado. Com receio das intoxicações medicamentosas comuns da sua época, Hahnemann procedeu à diluição dos medicamentos e entre uma diluição e a subseqüente o frasco era submetido a uma série de sucções e a este procedimento Hahnemann denominou dinamização. Hahnemann dizia que era a dinamização que liberava a energia contida no medicamento. (Real 2008). Devido ao processo de diluição e dinamização, a administração de medicamentos homeopáticos não causa efeitos colaterais e intoxicações. (Lopes 2009). 

Materiais e Métodos: Felino, sem raça definida, fêmea, dez anos. Em 26/03/11 animal foi levado a clinica Interclincas-RJ para consulta, pois estava sem apetite e prostrado. Já havia sido diagnosticada com Insuficiência Renal Crônica dois anos antes e desde então passou a comer ração especifica para Insuficiência Renal. Foi realizado exame bioquímico de uréia e creatinina séricas, que estavam acima do normal (Uréia 439mg/dL e Creatinina 2,4mg/dL). Neste dia teve inicio o tratamento com o 1Homeopet Pró-Rim® (Cantharis 10-30, Terenbinthinum 10-30, Berberis vulgaris 10-60, Serum d' anguille 10-24, Solidago virgaurea 10-24) 1 borrifada 3 vezes ao dia. O animal apresentou melhora já aos primeiros dias de tratamento. Após 47 dias (14/05/11) foram refeitos os exames laboratoriais e observou-se que os valores já haviam normalizado (Uréia 60,2mg/dL e Creatinina 1mg/dL).

Resultados e Discussões: A utilização do complexo homeopático Pró-Rim® foi útil para melhorar a função renal do animal, fato confirmado pela diminuição das taxas de uréia e creatinina. Houve uma diminuição de -86,28% de Uréia e -58,33% de Creatinina Neste caso o animal apresentou melhora clinica já aos primeiros dias de tratamento, mas os exames foram repetidos apenas 47 dias após, devido à disponibilidade econômica da proprietária.

Referências: Hahnemann S. 1975-1834. Exposição da doutrina homeopática, ou, Organon da Arte de Curar. Vannier L. 1940 La Douctrine Homeopathique. Ed Vigot Fréres. Paris p. 392. Rubin S.I 1997. Chronic Renal failure and its management and nephrolithiases. In: Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, V. 27, n. 6, p 1331-1354. Milmann J. e Osdoit P. 2002. Homéopathie Vétérinaire de la théorie à la pratique.Enbourg: Marco Pietteur, p. 352. Hahnemann S. 2007 Exposição da doutrina homeopática, ou, Organon da Arte de Curar. São Paulo: GEHSP "Benoit Mure", p. 216, Ettinger S.J. e Feldman E.C. 2008, Tratado de medicina interna veterinária: doenças do cão e do gato. 5 ed, p. 1686-1749, Lopes D.F. 2009, A Homeopatia Através dos Séculos. Cães e Gatos, ed.126, p. 42-44, Madison J. e Syme H. 2010 Chronic kidney disease in dogs and cats: pathophysiology and diagnosis. Irish Veterinary Journal. v. 63 n. 1 p. 44-51.1
Termos de Indexação: IRC, Homeopatia, Pró-Rim, Uréia, Creatinina


Site: https://www.realh.com.br/arquivos/site_downloads_645031863.pdf